segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Felicidade

Felicidade que nunca é eterna
Sempre efêmera
Corre rápido
Por ninguém espera

Felicidade que se aguarda
Guardada e de repente
acontece do nada

Felicidade que vem,
invade
toma conta
e quando vai
Não se despede

Felicidade que voa longe
Desatinada
Desabalada
Até que some

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Bijou

Foi sem razão
O fim e o começo
Não merecia destrato
Nem desprezo
Fui autenticidade
Coração, verdade
Mas você mostrou
O que vinha a ser
Falsificação barata
Em capa de ouro
Banho de prata
Mas não tem nada não
Um dia termina
E um outro começa, então
Em breve vou abrir
Uma joalheria
E te mostrar todo dia
A beleza de ter
Verdadeira riqueza
E não o acúmulo de
Bijouterias.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Miragem

São poucos minutos
De repente, presente
De súbito

Surge fagueiro
Leve, manso
Desordeiro

Se encaixa perfeitamente
Entre tudo se camufla
Confunde a mente

É o sentimento elevado
Alforria concedida
É o máximo

E então passa o tempo
Não há ilusão
Só alumbramento

Deixa o encanto
O desejo certo
De não ter sido gente
Apenas afeto

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nojo

Tenho ao ver descrito
Estampado sem constrangimento
A falta da vergonha
Da moral mínima
Do respeito básico
Sem nenhum remorso
Sem mera preocupação
Exposta como a verdade da vida toda
Escondida e falsiada
As costas, as contas, ao peso
Da vida suprimida de apenas um
Que sofreu
Que se valeu só
Em caminho de pedra
Enquanto lá
Faziam, aconteciam
Para finalmente mostrarem
A que ponto chegariam
Passando em cima de todos
E gritando aos quatro cantos
Que fizeram em nome de sentimento tão nobre,
O amor.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Janeiro/00

Aquela tranqüilidade
O balanço da rede
No domingo à tarde
Olhar o céu
Desenhar as nuvens
Ouvir o mar
A cumplicidade do olhar
As paredes e a ventania
No terraço descansar
Ver o sol ir
Estar em paz
Sentir a magia
De verdadeiramente
Estar feliz
Por sentir-se completo
Sabendo do amanhã
Que estaria por chegar
Trazendo suas distâncias,
Seus teoremas
Suas impossibilidades
Mas que seria vencido
Com grande facilidade
Afinal, éramos dois
Enquanto ele,
Invariavelmente,
Por mais que fizesse,
Seria sempre um.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

As possibilidades

Ao desapreço, ao descontentamento
Eu ofereço o não saber
O não ter dicernimento

Ofereço a falta do juízo próprio
A insistência a ignorância
A falta do prejuízo

No sorriso talhado
Ofereço a ingenuidade
A falta de percepção

No passo curto
Ofereço a dispretenciosidade
O encontro ao chão

Ao caminho minado
Ofereço a blindagem
O conhecimento as possibilidades

E ao rumo certo
Ofereço um ilustre desconhecido
A liberdade

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sem palavras

Estive sem palavras hoje. Por todo o dia elas me faltaram.
Uso, então, as do Lenine, porque, neste dado momento, queria tê-las escrito.

"Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos, será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo e o certo é que eu não sei o que virá só posso te pedir que nunca se leve tão a sério nunca se deixe levar, que a vida é parte do mistério, é tanta coisa pra se desvendar Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro, o escuro que se vê quem sabe pode iluminar os corações perdidos sobre o muro e o certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nunca se leve tão a serio, nunca se deixe levar que a vida, a nossa vida passa e não há tempo pra desperdiçar. "


Para ouví-las: http://www.youtube.com/watch?v=_I17I6mRgec&feature=related